segunda-feira, 29 de junho de 2009

Infância

Pois é, a infância fica cravada em nós mesmo depois da memória já não ser a mesma e caminharmos para a meia idade.

E sim uma infância feliz, mas marcada por uma mãe que sofreu com o abandono dum pai.
Mais tarde não consegui aceitar essa tristeza, essa semi-ausência, essas feridas.
Nunca consegui entender esse despreendimento dum pai, como se não tivesse direito a esse lado.
E assim lembro-me muitas vezes do meu padrinho Orlando, que me levava a passear de carro, de janela aberta. Do meu tio Alberto (que infelizmente não fui ao funeral), que me ensinou a nadar.
São apenas estes dois homens, que em certos/poucos dias o substituiram.

Hoje que finalmente sei a mulher, lutadora e forte que é a minha mãe, por trás da sua aparência frágil, tenho apenas pena, que tudo o que façamos seja mal feito. Ficamos sempre com a sensação que não sabemos e nunca saberemos nada e que não crescemos para ela como seres individuais e independentes que somos.

E não quero ser assim para a minha filha. Porque um elogio é algo muito poderoso.

Mas voltando ao assunto. A minha mãe anda enamorada, desde que conheceu um senhor muito bem parecido numa viagem de Lisboa até ao Algarve. Não trocaram o telemóvel, pois claro que uma senhora de "antigamente", com os seus 80 anos, não se ia oferecer assim! :)
E este encontro foi importante e melhor seria que o destino os voltasse a juntar e o amor lhe enchesse os olhos verdes de brilho, novamente!

1 comentário:

disse...

que bonito e tão sincero amiga...
é verdade como os dias passam ligeiros por nós, que o vento nos empurra e ás vezes nos põe areia nos olhos por momentos tão rápidos e decisivos que podemos cair num abismo ou empurrar alguém...
obrigada por com estas tuas palavras me recordares que não devo deixar nunca a areia tapar-me os olhos, mesmo que às vezes me ensombre a luz do sol.
bj